sábado, 10 de outubro de 2009

entrevista yoani sánchez - as três mentiras de cuba

entrevista yoani sánchez - as três mentiras de cuba
http://veja.abril.com.br/071009/tres-mentiras-cuba-p-19.shtml

A blogueira cubana diz que as chamadas "conquistas da revolução" são um mito e que só quem nunca morou na ilha pode ter admiração por seu regime



"Convido quem vê Cuba como um exemplo a vir para cá, sentir na pele como vivemos" 



A cubana Yoani Sánchez, 34 anos, foi convidada a falar no Senado brasileiro e a comparecer ao lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho (Contexto), em São Paulo. A obra, que chega às livrarias neste fim de semana, é uma coletânea de textos publicados por ela no blog Generación Y, o primeiro a ser criado em Cuba. Na internet, Yoani discorre livremente sobre o cotidiano do povo cubano, a ausência de liberdade e a escassez de gêneros de primeira necessidade – mas, bloqueado pelo governo, seu blog (desdecuba.com/generaciony) só pode ser acessado fora da ilha. Sua vinda ao Brasil, na segunda quinzena de outubro, depende de improvável permissão do governo cubano. Nos últimos doze meses, ela solicitou visto de saída em dez ocasiões para atender a convites no exterior. O visto foi negado em três delas. Nas demais, os trâmites burocráticos demoraram tanto que ela desistiu. Com 1,64 metro e 49 quilos, Yoani é formada em letras e vive em Havana com o filho e o marido. Ela conversou com VEJA pelo celular.

Em discurso a respeito do seu pedido de visto, o senador Eduardo Suplicy citou o que considera três conquistas da revolução cubana: a alfabetização, o aumento da expectativa de vida e a medicina de qualidade. Se pudesse, o que você diria sobre isso em Brasília?

Eu diria que os laços entre países não devem ocorrer apenas entre governantes ou diplomatas. Quando se trata de Cuba, as estatísticas oficiais divulgadas pelas nossas embaixadas não podem ser levadas a sério. Sou defensora da diplomacia popular, aquela que se inteira da realidade diretamente com o cidadão. Não sou uma analista política. Não sou especialista em nenhum tema. Não sou diplomata. Simplesmente vivo e conheço a realidade do meu país. Aqueles que roubam o estado, que recebem dinheiro enviado por parentes do exterior ou fazem trabalhos ilegais vivem melhor que os demais. Uma pessoa que escreve em um blog pode ser condenada sob a acusação de fazer propaganda inimiga. Os outros países não podem repercutir o clichê de que Cuba é uma ilha de música e rum. É preciso olhar para o cidadão. Aqui, nós vivemos e morremos todos os dias.

"Sou totalmente contra o embargo. Não porque ache que as coisas seriam muito diferentes se ele deixasse de existir, e sim porque seu fim acabaria com o argumento oficial de que vivemos em uma praça sitiada e, por causa disso, o povo deve aceitar as mazelas cubanas"


Mas é verdade que 99,8% da população cubana é alfabetizada?


Antes da revolução, nosso país já ostentava um dos menores índices de analfabetismo da América Latina. Uma das primeiras ações do governo autoritário de Fidel Castro foi ensinar o restante da população a ler e escrever. A questão principal hoje não é a taxa de alfabetização, e sim o que vamos ler depois que aprendemos. A censura controla totalmente o que passa diante de nossos olhos. E isso começa muito cedo. As cartilhas usadas na alfabetização só falam da guerrilha em Sierra Maestra ou do assalto ao quartel de Moncada pelos guerrilheiros barbudos. Meu filho tem 14 anos. Na sala de aula dele há seis fotos de Fidel Castro. Tudo o que se ensina nas escolas é o marxismo, o leninismo, essas coisas. Não se sabe o que acontece no resto do mundo. A primeira vez que vi imagens da queda do Muro de Berlim foi em 1999, dez anos depois de ela ter ocorrido. Foi num videocassete que um amigo trouxe clandestinamente. Para assistir às imagens do homem pisando na Lua, foi necessário esperar vinte anos.

A expectativa de vida realmente aumentou?

É uma estatística oficial, sem comprovação, que não resistiria a um questionamento mínimo feito por uma imprensa livre. Pelo que vejo nas ruas, é difícil acreditar que os cubanos possam sobreviver tantos anos. Os idosos estão em estado deplorável. Há uma avalanche de dados que poderiam ilustrar o que digo, mas estes nunca são divulgados. Jamais fomos informados sobre o número de pessoas que fogem da ilha a cada ano. Ninguém sabe qual é o índice de abortos, talvez o mais alto da América Latina. Os divórcios são inúmeros, motivados pelas carências habitacionais. Como há cinquenta anos quase não se constroem casas, é normal que três gerações de cubanos dividam uma mesma residência, o que acaba com a privacidade de qualquer casal. Também nunca se falou do número de suicídios, um dos mais altos do mundo.

Cuba tem mesmo uma medicina avançada?

O país construiu hospitais e formou médicos de boa qualidade na época em que recebia petróleo e subsídios soviéticos. Com o fim da União Soviética, tudo isso acabou. O salário mensal de um cirurgião não passa de 60 reais. A profissão de médico é hoje a que menos pode garantir uma vida decente e cômoda. A carência nos hospitais é trágica. Quando um doente é internado, todos os seus familiares migram para o hospital. Precisam levar tudo: roupa de cama, ventilador, balde para dar banho no paciente e descarregar a privada, travesseiro, toalha, desinfetante para limpar o banheiro e inseticida para as baratas. Eles não devem esquecer também os remédios, a gaze, o algodão e, dependendo do caso, a agulha e o fio de sutura.

Por que o modelo cubano continua sendo admirado na América Latina?

Cuba só é reverenciada por quem nunca morou aqui. Eu já conheci um montão de gente que idolatrava Fidel e, depois de um mês vivendo conosco, mudou de opinião. Quando as pessoas descobrem como é receber em moeda sem valor, enfrentar as filas de racionamento ou depender do precário transporte público, começam a pensar de modo mais realista. Não estou falando dos turistas que ficam uma semana, dormem em hotéis cinco-estrelas e andam em carros alugados. Convido quem vê Cuba como um exemplo a vir para cá, sentir na pele como vivemos.

Como o governo tem reagido a seu blog?

O portal Desdecuba.com, em que o site está hospedado, está bloqueado há mais de um ano para quem tenta acessá-lo de Cuba. Há algumas semanas, cancelaram o site Voces Cubanas, que possuía vários diários virtuais, incluindo uma cópia do meu. O governo também se esforça para me transformar em uma pessoa radioativa. Membros da polícia política me vigiam todo o tempo e dizem a meus vizinhos, amigos e parentes que sou perigosa. Falam que quero destruir o sistema e sou uma mercenária do império. Em um país onde todo mundo trabalha para o estado ou depende da ajuda do governo, esse método surte efeito. Muita gente já se afastou de mim. Alguns nem me telefonam. É uma luta desigual. Todo o poder de um estado recai sobre mim. Até minha mãe tem sido vítima dessa campanha atemorizante. Eles a pressionam no trabalho. Ameaçam tirar seu emprego. Ela não faz nada especial, que possa desestabilizá-los. Não tem blog. Não é jornalista.

Qual é o trabalho de sua mãe?

Ela preenche formulários em um ponto de táxi.

Como os cubanos veem Hugo Chávez, hoje o maior benfeitor do regime comunista?

Hugo Chávez é o grande responsável pela perpetuação do regime cubano. Cuba seria hoje muito diferente sem esse aporte de petróleo e de dinheiro da Venezuela. O que me preocupa é o componente de autoritarismo e de messianismo de governos como os da Venezuela, Bolívia e Equador. Chávez reprime brutalmente a liberdade de expressão, e temo que os outros sigam essa abordagem, de cujas consequências parecem não ter a menor ideia. Em lugar da linha de Chávez, Evo Morales ou Rafael Correa, prefiro a da chilena Michelle Bachelet e a de Lula. Eles perseguem mudanças menos traumáticas e não criam conflitos viscerais entre grupos sociais.

O presidente Lula tem condenado com insistência o embargo comercial americano a Cuba. O que você acha disso? 

Se o objetivo do embargo era enfraquecer a ditadura, não funcionou. Essa política não afeta os governantes, que continuam vivendo muito bem e importando os produtos que desejam. Tampouco se plantou na ilha uma semente de insatisfação capaz de desestabilizar o governo. A maior parte das pessoas que eram contra o regime já escapou da ilha. Acima de tudo, o embargo tem sido o maior pretexto do governo cubano para justificar o descalabro econômico no país. Diante de cada coisa que não funciona, o partido comunista diz que a culpa é dos americanos. Sou totalmente contra o embargo. Não porque ache que as coisas seriam muito diferentes se ele deixasse de existir, e sim porque seu fim eliminaria o argumento oficial de que estamos em uma praça sitiada e, por causa disso, o povo deve aceitar as mazelas cubanas.

Você acha possível que um dia Cuba libere a viagem de cubanos ao exterior?

Tenho escutado esses boatos, mas é improvável que isso ocorra. O controle de entrada e saída é talvez a mais importante arma do governo para manter a fidelidade ideológica. Imagine o que pensaria meu vizinho, um militante do partido que ganha em moeda nacional, se eu fosse ao Brasil, conhecesse várias cidades e voltasse cheia de histórias para contar sobre o que vi e comi. Seria um golpe muito forte no estado. No mais, essa questão é antiga. Eu até coloquei no blog uma foto de uma revista espanhola de 1991 na qual uma autoridade cubana fala da iminência da liberação das viagens. Já se passaram dezoito anos desde então, e nada mudou.

"Vivo o dilema da mãe cubana: manter o filho aqui mesmo sabendo que um dia ele terá problemas com o governo ou deixá-lo ir embora para realizar seus sonhos. Eu ficaria feliz se Teo não precisasse sair, mas creio que ele será um emigrante"


Caso consiga permissão para vir ao Brasil, você pensaria em ficar e trabalhar aqui?


Não tenho esse plano. A matéria-prima do meu trabalho é a realidade cubana. Não quero e não posso ficar longe das minhas histórias. Se pudesse viajar, eu certamente o faria, mas não seria apenas para o Brasil. Tenho de passar nos Estados Unidos e na Espanha para receber os prêmios que ganhei. Talvez desse um pulo à Alemanha e à Suíça. E só. Faz tempo que aprendi que a vida para mim não está em outro lugar a não ser em Cuba. Para o meu país eu voltarei sempre.

Raúl tem 78 anos e Fidel está à beira da morte. Quem vai assumir o poder em Cuba quando eles forem embora? 

Os futuros governantes de Cuba serão pessoas comuns, que não conhecemos. Não mostram publicamente suas ideias reformistas por medo de que aconteça a elas o mesmo que ocorreu com Carlos Lage, o médico que era vice-presidente e foi condenado ao ostracismo. Quando a velha-guarda deixar o poder, muita gente carismática e talentosa sairá das sombras. Será como na União Soviética. Até assumir a Presidência, Mikhail Gorbachev tinha uma trajetória cinza. Era um funcionário a mais, fiel ao partido. No Kremlin, destacou-se como um transformador.

Seu filho completou 14 anos. Qual é o futuro que o espera?

Teo é um garoto inquieto. Foi criado em clima de tolerância e liberdade. Ele terá muita dificuldade se Cuba continuar assim. Cedo ou tarde, vai esbarrar nesse muro e pensará em sair. Isso me dói muito. Vivo o dilema da mãe cubana: manter o filho aqui mesmo sabendo que um dia ele terá problemas com o governo ou deixá-lo ir embora para realizar seus sonhos. Eu ficaria feliz se Teo não precisasse sair, mas creio que ele será um emigrante.

Como é a situação econômica atual comparada à grande crise ocorrida quando Cuba perdeu a mesada da União Soviética?

A crise contemporânea ainda não se compara com a dos anos 90. Naquele tempo meus pais me mandavam ir dormir mais cedo porque não tínhamos o que comer. Minha magreza é, em parte, uma sequela daquele período de fome. Hoje certamente há uma recaída econômica muito forte. A produção nacional é ínfima e obriga Cuba a importar 80% dos alimentos que consome. O problema é que o país não tem liquidez para comprar no exterior. A queda, contudo, está sendo amortecida pelo turismo, pelo dinheiro enviado por cubanos do exterior e pela possibilidade de exercer uma profissão ilegal.

A liberação de viagens de americanos para a ilha já mudou alguma coisa?

Essa foi uma notícia magnífica para os cubanos, que agora podem reencontrar seus parentes. Essas visitas ajudam também com palavras de estímulo, dinheiro e produtos básicos. Lamentavelmente, nunca fomos tão dependentes dos Estados Unidos.

Afeto, responsabilidade e o STF

Afeto, responsabilidade e o STF 
RODRIGO DA CUNHA PEREIRA


O STF deve decidir sobre a indenização a um filho abandonado afetivamente pelo pai, embora dele recebesse pensão alimentícia


O SUPREMO Tribunal Federal deve decidir nos próximos dias, em caráter terminativo, um importante processo que está "passando batido". Trata-se da possibilidade de indenização a um filho que foi abandonado afetivamente pelo pai, embora dele recebesse pensão alimentícia. 
A matéria chegou à corte constitucional após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais ter condenado o pai a indenizar esse filho em 200 salários mínimos por afronta aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável. O Superior Tribunal de Justiça cassou a decisão do tribunal mineiro, sob a alegação de que a punição para um pai abandônico deve ser a destituição do poder familiar (deixar de ser pai), já que não se pode obrigar alguém a amar o próprio filho. 
Os casos julgados pelo Supremo devem ser apenas aqueles que violam a Constituição e que tenham repercussão geral. Realmente não faz sentido a mais alta corte do país ocupar-se com casos de interesse particular. Mas alguns casos particulares emprestam à coletividade uma discussão que serve de reflexão e avanço ético e jurídico, como os casos das células-tronco e do aborto anencefálico. 
Embora a premissa da afetividade seja inerente aos princípios constitucionais da dignidade humana, da solidariedade e da paternidade responsável, esse novo conceito ainda não foi bem compreendido ou aceito por algumas instâncias ou membros do Judiciário. Trata-se da aplicação direta dos princípios constitucionais, com vista ao cumprimento das responsabilidades -inclusive afetivas- com os filhos. 
No entanto, como todo pensamento inaugural, há resistências. Sobretudo porque os julgadores, embora trabalhem com imparcialidade, não são neutros, pois são humanos e, portanto, contaminados por suas próprias convicções morais, políticas e ideológicas. A argumentação contrária à indenização pelo abandono paterno diz que não se pode obrigar um pai a amar o seu filho e que isso seria a monetarização do afeto. Realmente, o amor não tem preço e não há dinheiro que pague e apague a dor sofrida pelo abandono paterno. 
Nem mesmo se pretende indenizar a dor. Sofrimento e dor fazem parte do processo de crescimento e evolução das pessoas. Não é correto buscar indenização pelas dores da vida, assim como não é possível medicalizar a vida. 
Mas, afinal, qual a importância político-jurídica e social de um caso particular como esse? É que ele traz para o centro da cena jurídica a necessidade de responsabilizar os pais pelo abandono de seus filhos. O exercício da paternidade é uma obrigação jurídica, estabelecida na Constituição, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código Civil. 
A indenização pelo abandono afetivo tem função reparatória e pedagógica. Se o STF disser que não há nenhuma sanção às regras e aos princípios jurídicos de que os pais são responsáveis pela criação e educação de seus filhos, e isso é dar afeto, ele estará instalando e endossando a irresponsabilidade paterna. A importância político-social e a repercussão geral estão na veiculação direta e reflexa da tragédia social de milhares de crianças abandonadas e dos vários sintomas desse abandono, tais como gravidez na adolescência e altos índices de criminalidade, entre tantos outros exemplos de disfunções familiares. 
Esses sintomas não são apenas consequência da falta de políticas públicas adequadas. Eles estão diretamente relacionados ao abandono paterno, isto é, à falta do exercício das funções paternas, o que se denomina em direito de família de "poder familiar", que por sua vez relaciona-se com a afetividade. Afeto não é apenas um sentimento. 
É também uma ação em relação aos filhos. A reparação civil ou a indenização vem exatamente contemplar aquilo que não se pode obrigar. Dizer que não cabe reparação civil pelo abandono afetivo é o mesmo que desresponsabilizar os pais pela criação e educação de seus filhos. 
Embora o caso que agoniza no STF (processo nº 567164) seja de um filho de classe média, ele diz respeito e interesse principalmente às crianças pobres. Talvez o STF não tenha dado a devida atenção e importância e não tenha entendido a repercussão geral do abandono afetivo pelos mesmos motivos que o Executivo não instala e executa políticas públicas de atenção a crianças e adolescentes. Menores não fazem parte da engrenagem política e não têm força para clamar contra o abandono. Nesse caso exemplar, cabe ao STF abrir as portas para um novo pensamento jurídico e para uma nova conduta em família, pautada pela responsabilidade, inclusive afetiva. 

RODRIGO DA CUNHA PEREIRA, 51, doutor em direito civil pela UFPR, é presidente do IBDFam (Instituto Brasileiro de Direito de Família). É advogado da causa que discute neste artigo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Registro de ponto deverá ter comprovante impresso

Registro de ponto deverá ter comprovante impresso

(05/10/2009 - 10:37)

Enquanto a mudança na jornada máxima de trabalho ainda está em discussão no Congresso Nacional, o Ministério do Trabalho e Emprego aprovou uma portaria que muda a maneira como o registro das horas trabalhadas é feito.
 
Editada em agosto, a portaria 1.510 prevê que a cada entrada e saída do funcionário da empresa seja registrado um comprovante impresso, que ficará com o empregado. Para isso, cada aparelho de ponto eletrônico deverá ter uma impressora.
 
Os comprovantes podem ser úteis ao funcionário por comprovarem as horas trabalhadas.
 
Para o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Luciano Athayde, os papéis devem ser guardados, mas o impresso "não elimina outros meios de se comprovar" a adulteração da jornada. No caso de disputa com a empresa, um colega pode testemunhar sobre as horas trabalhadas, por exemplo.
 
A regra vale para todas as companhias com mais de dez funcionários, e as empresas têm até agosto de 2010 para fazer a adaptação.
 
A portaria obriga à troca dos cerca de 300 mil pontos eletrônicos do país, calcula Raul Gottlieb, presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Registro Eletrônico de Ponto.
 
As empresas têm outra dificuldade: o texto determina que o controle das máquinas registradoras de ponto seja feito por uma instituição homologadora que ainda não existe.
 
Procurado pela Folha para comentar a portaria, o Ministério do Trabalho e Emprego não respondeu às solicitações.
 
Adaptação
 
Rodrigo Camara, dono da Maison Roses Instituto de Beleza e Saúde, diz que a adaptação "vai ser complicada no gasto". A firma comprou recentemente um programa que faz o registro em um computador.
 
Para a massoterapeuta Raquel Lopes Borges, 28, que trabalha na Maison Roses, a mudança será "muito boa". "Teremos sempre [o comprovante] na mão, caso haja problema."
 
*Notícia publicada no dia 4 de outubro e reproduzida pelo site BOL.

Fonte: Folha de S. Paulo - Por André Lobato

Doutor de verdade é quem faz doutorado



Doutor de verdade é quem faz doutorado
Por: Marco Antônio Ribeiro Tura

No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos
para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta
do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a
velha arenga de que o formado em Direito é doutor.

A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus
elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona
Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I.

Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério
Público. Há quase 20 anos sou professor de Direito. E desde sempre
vejo "docentes" e "profissionais" venderem essa balela para os pobres
coitados dos alunos.

Quando coordenador de curso tive o desprazer de chamar a atenção de
(in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse,
inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros,
melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha
esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever.
Pois bem.

Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a
Pia, havia "baixado um alvará" pelo qual os advogados portugueses
teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então,
por uma "lógica" das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil,
magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita
inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita
gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o
pensamento (dizia meu jovem aluno: "o senhor é advogado; pra que fazer
doutorado de novo, professor?").

1) Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca
mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca.

2) Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu.
Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a
coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de
quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre
advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta
hoje pode ser feita pela Internet.

3) Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse
tão louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem
atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser
tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não
quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas cortes
brasileiras e só!

Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria
tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor
competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não
poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da
Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de
Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum).
Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de
Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final.

4) Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há
"alvará" como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido
que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora),
pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse,
com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos
os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da
vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim
ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer
valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha
família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de
um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais).

A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus
adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se
pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto.

Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas
mentiras de sempre. Agora o ato é um "decreto". E o "culpado" é Dom
Pedro I (IV em Portugal). Mas o enredo é idêntico. E as palavras se
aplicam a ele com perfeição.

Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?!

A Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos
jurídicos no Brasil, em seu 9ª artigo diz com todas as letras: "Os que
frequentarem os cinco anos de qualquer dos cursos, com aprovação,
conseguirão o grau de bacharéis formados. Haverá também o grau de
Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os
requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e
só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes".

Traduzindo o óbvio. A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel. B)
Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C)
Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente,
pré-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os
Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes
naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do
Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos)
nos anos trinta.

Senhores.

Doutor é apenas quem faz doutorado. E isso vale também para médicos,
dentistas, etc, etc. A tradição faz com que nos chamemos de doutores.
Mas isso não torna doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui
especialmente, advogados. Falo com sossego.

Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em
concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em
Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado
do Rio de Janeiro.

Aliás, disse eu: tese de Doutorado!.Esse nome não se aplica aos
trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma
peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade.

Escrevi mais de 300 artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e
livros. Uma verificação no site eletrônico do Conselho Nacional de
Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado
no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia,
México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha
sofrida tese de Doutorado.

Após anos como advogado, eleito para o Instituto dos Advogados
Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do
Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação
Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da
União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos
Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos
interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar
nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar
no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com
o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das
Cruzes.

Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está
estampado na parede para todos verem.

E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas
acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim
determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e
Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02;
E-2067/99; E-1.815/98.

Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o
tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua
titulação acadêmica para tanto.

Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço
oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_63/Lei_1827.htm

Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que
fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus.
Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais
séria a recomendação.

Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função.
Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim,
exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então.


*Marco Antônio Ribeiro Tura é jurista, membro vitalício do Ministério
Público da União, doutor em Direito Internacional e Integração
Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre em
Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa
Catarina, professor visitante da Universidade de São Paulo, ex-
presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do
Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de
Reforma do Poder Judiciário e da Ordem dos Advogados do Brasil

Fonte: Conjur

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Origem da Língua Portuguesa

A FORMAÇÃO DE  PORTUGAL E A Origem da Língua Portuguesa

 

Derivou-se o nosso idioma, como língua romântica, do Latim vulgar.

É bastante difícil conhecer a língua dos povos habitantes na península Ibérica antes dos Romanos dela se apossarem.

Os Romanos ocuparam a Península Ibérica no séc. III antes de nossa Era. Contudo, ela só é incorporada ao Império no ano 197 antes de Cristo. Tal fato não foi pacifico. Houve rebeliões contra o jugo Romano.

O Latim, língua  dos conquistadores, foi paulatinamente suplantado a dos povos pré-latinos. "Os turdetanos, e mormente os ribeirinhos do Bétis, adotaram de todos os costumes romanos, e até já nem se lembram da própria língua." (Estrabão).

O Latim implantado na Península Ibérica não era o adotado por Cícero e outros escritores da época clássica (Latim clássico).

Era sim o denominado Latim Vulgar. O Latim Vulgar era de vocabulário reduzido, falado por aqueles que encaravam a vida pelo lado prático sem as preocupações de estilísticas do falar e do escrever.

O Latim Clássico foi conhecido também na Península Ibérica, principalmente nas escolas. Atestam tal verdade os naturais da Península : Quintiliano e Sêneca.

- O Português vem do Latim vulgar

Sabe-se que o latim  era uma língua corrente de Roma. Roma, destinada pela sorte e valor de suas bases, conquista, através de seus soldados, regiões imensas. Com as conquistas vai o latim sendo levado a todos os rincões pelos soldados romanos, pelos colonos, pelos homens de negócios. As viagens favoreciam a difusão do latim.

Primeiramente o latim se expande por toda a Itália, depois pela Córsega e Sardenha, plenas províncias do oeste do domínio colonial, pela Gália, pela Espanha, pelo norte e nordeste da Récia, pelo leste da Dácia. O latim se difundiu acarretando falares diversos de conformidade com as regiões e povoados, surgindo daí as línguas românticas ou novilatinas.

Românticas porque tiveram a mesma origem: ao latim vulgar. Essas línguas são, na verdade, continuação do latim vulgar. Essas línguas românticas são: português, espanhol, catalão, provençal francês, italiano, rético, sardo e romeno.

No lado ocidental da Península Ibérica o latim sentiu certas influencias e apresenta características especiais que o distinguiam do "modus loquendi" de outras regiões onde se formavam e se desenvolviam as línguas românticas. Foi nesta região ocidental que se fixaram os suevos. Foram os povos bárbaros que invadiram a península, todos de origem germânica Sucederam-se nas invasões os vândalos, os suevos (fixaram-se no norte da península que mais tarde pertenceria a Portugal), os visigodos. Esses povos eram atrasados de cultura. Admitiram os costumes dos vencidos juntamente com a língua regional.

É normal entender a influencia desses povos bárbaros foi grande sobre o latim que aí se falava, nessa altura bastante modificado.

- Formação de Portugal

No século V, vários grupos bárbaros entraram na região ibérica, destruindo a organização política e administrativa dos romanos. Entretanto é interessante notar o domínio político não corresponde a um domínio cultural, os bárbaros sofreram um processo de  romanização. Neste período formaram-se uma sociedade distinta em três níveis: clero, os ricos e políticos poderosos; a nobreza, proprietários e militares; e o povo.

No século VII essa situação sofre profundas mudanças devido a invasão muçulmana, estendendo –se assim o domínio árabe variando de regiões, e tinha sua maior concentração na região sul da Península, e o norte não conquistado servia de refúgio aos cristãos  e lá organizaram a luta de reconquista, que visava a retomado do território tomado pelos árabes.

No que a Reconquista progredia a estrutura de poder e a organização territorial vão ganhando novos contornos; os reino do norte da Península (Leão, Castela, Aragão) estendem suas fronteiras para o sul, o reino de Leão passa a pertencer a o Condato Portucalense. 

No fim do século XI, o norte da Península era governado por o rei Afonso VI, pretendendo expulsar todos os muçulmanos, vieram cavaleiros de todas as partes para lutar contra os mouros, dentre os quais dois nobres de borgonhas: Raimundo e seu primo Henrique. Afonso VI  tinha duas filhas: Urraca e Teresa. O rei promoveu o casamento de Urraca e  Raimundo e lhe deu como dote o  governo  de Galiza; pouco depois casou Teresa com Henrique e lhe deu o governo do Condato Portucalense. D. Henrique continua a luta contra os mouros e anexando os novos territórios ao seu condato, que vai ganhado os contornos do que hoje é Portugal.

Em 1128, Afonso Henriques – filho de Henrique e Teresa- proclamou a independência do Condato Portucalense, entrando em luta com as forças do reino de Leão. Quando em 1185 morre Afonso Henriques, os muçulmanos dominavam somente o sul de Portugal. Sucede a Afonso Henriques o rei D. Sancho, que continuava a lutar contra os mouros até sua expulsão total.. Dessa forma consolida-se a primeira dinastia portuguesa: a Dinastia de Borgonhas.

 

A SOCIEDADE

 

A formação de Portugal ocorreu num período de grande transição em que se percebe que o sistema feudal em crise e, em contrapartida, o crescimento de em áreas urbanas. Então este período se resume ao período de transição do feudalismo para as atividades econômicas, como os mercadores e os negociantes de dinheiro.

 

EVOLUÇÃO DA LINGUA PORTUGUESA

 

A formação e a própria evolução da língua portuguesa contam com um elemento decisivo: o domínio romano, sem desprezar por completo a influência das diversas línguas faladas na região antes do domínio romano sobre o latim vulgar, o latim passou por diversificações, dando origem a dialetos que se denominava romanço ( do latim romanice que significava, falar a maneira dos romanos).

Com várias invasões barbaras no século V, e a queda do Império Romano no Ocidente,  surgiram vários destes dialetos, e numa evolução constituíram-se as línguas modernas conhecidas como: neolatinas. Na Península Ibérica, várias línguas se formaram, entre elas o catalão, o castelhano, o galego-português, deste último resultou a língua portuguesa.

O galego-português, era uma língua limitada a todo Ocidente da Península, correspondendo aos territórios da Galiza e de Portugal, Cronologicamente limitado entre os séculos XII e XIV, coincidindo ocom o período da Reconquista. Na entrada do século XIV, percebe-se maior influência dos falares do sul, notadamente na região de Lisboa; aumentando assim as diferenças entre o galego e o português.

O galego apareceu durante o século XII e XV, aparecendo tanto em documentos oficiais da região de Galiza como em obras poéticas. Apartir do século XVI, com o domínio de Castela, introduz-se o castelhano como língua oficial, e o galego tem sua importância relegada a plano secundário.

Já o português, desde a consolidação da autonomia política e, mais tarde, com a dilatação do império luso, consagra-se como língua oficial. Da evolução da língua portuguesa destaca-se alguns períodos: fase proto-histórica, do Português arcaico e do Português moderno.

 

                         FASES HISTÓRICAS DO PORTUGUÊS

 

·         Fase proto-histórica

Anterior ao século XII, com textos escritos em latim bárbaro (modalidade do latim usado apenas em documentos e por isso também chamado de latim tabaliônico ou dos tabeliões).

·         Fase do português arcáico

Do século XII ao século XVI, corresponde dois períodos:

a)       do século XII ao século XIV, com textos em galego-português;

b)       do século XIV ao século XVI, com a separação do galego e o portugu6es.

·         Fase do português moderno

                   A partir do século XVI, quando a língua portuguesa se uniformiza e adquiri as caracteristicas do português atual. A rica literatura renascente portuguesa, produzida por Camões, teve papel fundamental nesse processo. As primeiras gramáticas e dicionários da língua portuguesa também surgiram do século XVI.

                  

                                               GEOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

                  

                   O atual quadro das regiões de língua portuguesa se deve as expansões territorial lusitana ocorrida no século XV a XVI. Assim que o língua portuguesa partiu do ocidente lusitano , entrou por todos os continentes: América (com o Brasil), África (Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, República Democrática de São Tomé e Príncipe), Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu), e Oceania (Timor), além das ilhas atlânticas próximas da costa africana ( Açores e Madeira), que fazem parte do estado português.

                   Em alguns países o português é a língua  oficial (República Democrática de São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde), e apesar de incorporações de vocábulos nativos de modificações de pronúncia, mantêm uma unidade com o português de Portugal.

                   Em outros locais, surgiram dialetos originários   do português. E também regiões em que essa língua é falada apenas por uma peguena parte da população, como em Hong Kong e Sri Lanka.

 

Bibliografia:

 

 

NICOLA, José de, Língua, Literatura e Redação, 6ª ed., Editora Scipione,     

               1994 

 

TERSARIOL, Alpheu, Biblioteca da língua portuguesa, 14ª ed., Editorial   

               Irradiação S.A.- São Paulo, 1970

 

O que é isso companheiro? - Resenha

A VERDADE É DIFÍCIL... COMPANHEIRO?

 

 

No livro "O que é isso, Companheiro?" Fernando Gabeira, narra sua história, e de outras pessoas, que durante o Regime Militar no Brasil estiveram envolvidas em  movimentos contra a ditadura.

Por se tratar de um livro de memória, "O que é isso, Companheiro?", pode apresentar falhas, ocultando e exaltando fatos ocorridos. O texto é escrito em primeira pessoa, e é uma fala solitária, mas ao mesmo tempo, é para o leitor coletiva, pois ele relata fatos ocorridos na sociedade brasileira na década de 60.

No livro, Fernando Gabeira, está sempre questionando sua ação dentro do movimento, ele faz críticas e mostra uma clareza ao questionar o que estava errado no movimento de esquerda brasileira.  Isso não ocorre porque ele apresenta superioridade em relação aos outros e sim porque o livro foi escrito dez anos depois dos acontecimentos narrados. Nos anos de chumbo, Gabeira pensava igual aos outros companheiros, que desejavam fazer a sonhada "Revolução".

Com base neste livro Bruno Barreto dirige o filme "O que é isso, Companheiro?" que apresenta contradições com relação ao livro, é portanto,  falsa a idéia de um filme verídico, mas apresenta acontecimentos, datas e nomes reais.

         Não é a primeira vez , que a realidade se transforma em ficção, na minissérie da TV Globo "Anos Rebeldes", exibida em 1992, também apresentou fatos reais, com o extremo ar de romance. Mas existem outras produções sobre o período que não são obras de ficção é o caso do filme "Lamarca", de 1994,  que conta a história de um capital do exército que deixou a farda pela Revolução.

O contexto histórico dos fatos discutidos nesse trabalho, é o ano de 1969, que  inicia-se em 13.12.68 com o AI-5, que foi o "golpe dentro do golpe". O Brasil que já estava vivendo num período autoritário, e agora passa para um sistema rígido, violento e opressor. O seqüestro do embaixador é realizado neste contexto, de prisões, torturas e exílios. A esquerda, em sua maioria, havia entrado na luta armada, e estavam fazendo  treinamento em Cuba. E foram realizadas ações contra a ditadura.

O momento era propício para a realização do seqüestro. O país estava sendo governado por uma Junta Militar, pois Costa e Silva afastou-se da presidência por motivos de saúde. "...Divididos sobre a aceitação das exigências do grupo, os militares tinham agora a possibilidade de um ataque direto. A Junta que ocupava a presidência a acompanhava as operações em tempo real, passo a passo: recém-empossada sob contestação de todos os lados, sabia não ter controle total sobre a tropa."[1] O seqüestro do embaixador foi planejado para a Semana da Pátria, para desmoralizar o e prejudicar a ação do exército.

         Seqüestro  que foi realizado pelo MR8, nome adotada para confrontar com a repressão que havia divulgado uma nota que o grupo terrorista MR8 estava eliminado, mas Movimento Revolucionário 8 de Outubro era apenas o nome do jornal. Então a Dissidência da Ganabara, resolveu adotar o nome, e por ser um grupo com pouca experiência na luta armada, pede ajuda a ALN de Carlos Marighella para realizar  o seqüestro.

O filme O que é isso, Companheiro?, é uma ficção a partir de fatos reais do seqüestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Elbrick. " Como disse a atriz Fernanda Torres ao jornal O Estado de S. Paulo (01/05/97,p.D-7): 'Precisamos atingir os jovens, eu não aprendi nada disso na escola, o cinema tem  que ajudar o brasileiro a descobrir a complexidade da história recente do país."[2]

Em duas entrevistas Bruno Barreto se contradiz, pois em uma ele fala que fez um filme para os jovens que não viveram a época e necessitam conhecer uma história recente do país, e em outra entrevista fala que fez o filme pensando em mostrar aos norte-americanos o seqüestro do embaixador deles no Brasil na década de 60. Na realidade ele estava interessado em ganhar um Oscar de melhor filme estrangeiro,  mas não poderia utilizar cenas reconstituídas no mesmo padrão de imagem da época, ou seja, ele inicia o filme em preto e branco, e ainda coloca uma legenda falando que se trata de uma história verídica, produzido como se fosse um filme norte-americano.

O filme é destinado ao entretenimento da massa e esquece o seu objetivo de relatar a verdade dos acontecimentos, o cinema apresenta aos seus espectadores uma história e uma cultura, fictícia ou real, tendo coerência em separar um do outro, no caso do O que é isso, Companheiro? A ficção se mistura com a realidade, contrariando a história de vida de  pessoas que se vêem retratadas no filme. É um  filme de alta produção, como esse, deixou muito a desejar, ele se preocupou com a forma e esqueceu o conteúdo. Bruno Barreto tem liberdade de criação em seus filmes, mas não se utilizar de fatos e imagens de pessoas, para ter bilheteria, pois é um filme  produzido nos moldes da  indústria cultural.      

No filme "O que é isso, Companheiro", Fernando Gabeira se destaca em relação aos outros personagens , ele é o mais sensato e inteligente dos militantes que participavam do seqüestro do embaixador. Tanto no livro como no filme a idéia do seqüestro é Fernando Gabeira, mas na realidade foi de um outro companheiro, Franklin Martins. E eu pergunto a Gabeira: "O que é isso, Companheiro?" O plágio não era crime em 69? Mas não ficou por aí, ele também assumiu a autoria do manifesto divulgado nos meios de comunicação, que o Franklin escreveu.

Em uma entrevista dada a Folha de S. Paulo, Bruno Barreto justifica-se dizendo "...Eu tomei certas liberdades com o personagem do Gabeira só para ele ter alguma qualidade. Ele não sabia dirigir, não sabia atirar, se  não soubesse escrever, o que estaria fazendo ali ..."[3], fico abismada que nem escrever ele não sabia! Fernando Gabeira só ficou sabendo da ação no dia do seqüestro, pois o embaixador ficaria na casa que ele alugou para sede do jornal do grupo. Então por que assumir uma coisa que nem ia participar? Um outro ponto, que não mencionei, é que no filme começa com uma passeata, onde Fernando Gabeira estava participando, mas no livro ele conta que estava observando da janela do Jornal do Brasil, onde trabalhava.

Existem outros detalhes ridículos no filme, o assalto a banco é mostrado somente com o objetivo de juntar dinheiro para a realização do seqüestro, mas na realidade os assaltos eram feitos para garantir sobrevivência da clandestinidade e também como uma forma de protesto contra o sistema autoritário e o imperialismo. No livro Gabeira conta que ele seguiu os militares que estavam vigiando a casa em Santa Tereza, mas no filme fica ridículo esta encenação. Um outro ponto que chama a atenção foi a compra dos frangos, numa época de recessão e também repressão, que boa parte da população estava auxiliando os militares em perseguir os "subversivos", como uma pessoa compraria doze frangos e mostrando muito dinheiro no bolso não levantaria suspeita? No Brasil atualmente nem todas as casas tem telefone, e na época só os mais privilegiados possuíam, então porque colocar telefones em todas as casas como nos Estados Unidos?

         O plágio não é o único problema, a própria personalidade dos personagens está distorcida, Bruno Barreto utiliza nomes, codinomes e descrições dos verdadeiros participantes do seqüestro, só que de forma diferente, o mais prejudicado é o personagem Jonas, (Vírgilio Gomes da Silva), um operário, militante da ALN, que trouxe sua experiência na luta armada para a realização dessa ação em conjunto. O filme mostra um homem violento, calculista que mataria um companheiro caso esse enfraquecesse, e deu ordem ao Paulo personagem de Fernando Gabeira, de matar o embaixador caso as exigências não fossem aceitas. Jonas não tem nada a ver com o personagem primitivo do filme, segundo seus parentes Jonas era um homem calmo.

No meu ponto de vista, Bruno Barreto é extremamente preconceituoso, pois coloca a imagem distorcida de um pessoa devido sua classe social, um operário e coloca um intelectual no alto.

         Bruno Barreto faz isso também com o personagem feminino da história, Vera Sílvia Magalhães, "... Foi ela que, então com 21 anos, fez o levantamento da ação, tendo também participado diretamente do seqüestro, na cobertura logística. Vera, porém, não permaneceu dentro da casa em Santa Tereza - nenhuma mulher ficou -, mas acompanhou os acontecimentos passo a passo, por intermédio de alguns companheiros que entravam e saíam. No filme, ela seria a fonte de inspiração das personagens de Cláudia Abreu(que faz o levantamento da ação) e de Fernanda Torres, que, como Vera, deixa o país com as pernas paralisadas - quando de sua libertação em troca de embaixador alemão Ehrenfried von Holleben (seqüestrado em 1970), junto com mais 39 prisioneiros políticos -, em conseqüência das violentas torturas que sofreu na cadeia."[4]

         A relação de preconceito neste fato, reduz a utilização do corpo feminino para obtenção de favores, Vera utilizou de encantos femininos para obter as informações sobre a rotina do embaixador, mas nunca teve nenhuma relação com o segurança, como mostra no filme.

Um outro ponto importante, é que Bruno Barreto mostra no filme um conflito entre um torturador e sua esposa, este militar fala a um outro amigo militar se ele consegue dormir depois do trabalho, e ele fala que sim. Ele  tenta demonstrar que o torturador também tinha uma história, uma família, e ficava com a crise de consciência, e por sinal o torturador que se sentia bem no trabalho que fazia, que era torturar os "subversivos", era negro, outro fato de preconceito.

Com relação a tortura em si, o filme ficou devendo, pois, no livro Gabeira conta alguns detalhes sobre os porões do Dops, fala do tiro que levou quando foi preso, como ele fazia para enganar os torturadores para não contar detalhes do seqüestro, fala das suas transferências, conta a história de um militante que resistiu até a morte e antes de morrer conseguiu atingir um torturador, ferindo-o  muito, todos dentro da cadeia ficou sabendo desse fato, e esse preso era justamente Vírgilio Gomes da Silva, o companheiro Jonas,    e no filme Bruno Barreto mostra um lado tão simplório da tortura, ele faz questão de mostrar que os torturadores eram bonzinhos, que a tortura não eram tão violenta como na realidade foi.  Em comparação com o filme Lamarca, que mostra bem como era feita a tortura, quando ele coloca um pau-de-arara um homem nú o expondo a humilhação, ele sofre violentos choques elétricos no seu órgão genital, e quando este vem a falecer depois de tanto sofrimento, o comandante da ação fala que a causa da morte, "atropelado quando resistia a prisão".

A frieza dos militares é bem retrata nesse filme , o esquema do exército, suas influências e sua violência. E Bruno Barreto deixa de lado essa questão, com relação ao exército ele só mostra dois comandantes, que fazem tudo desde as ordens, a  prisões e a tortura. Segundo Renato Tapajós, " A tortura pode ser uma decisão racional para os altos escalões de comando, que decidem permiti-la ou aceitá-la como método e são capazes, inclusive, de mandar trazer assessores internacionais para divulgar técnicas 'modernas de tortura entre seus comandados. No entanto, no escalão do torturador, daquele sujeito que põe  a mão na massa, a tortura significa infligir for, humilhação e talvez a morte a outro ser humano. Ela acontece em  meio a gritos, sangue, cheiro de sangue e de suor, o fedor insuportável do medo, freqüentemente urina e fezes - porque o medo e a dor soltam bexiga e intestinos...a tortura é a negação do humano - e essa é a chave da sua eficácia..."[5]

 Bruno Barreto compreende as razões do torturador, de um certo modo defendendo-o,  quando na realidade eles não passem de criminosos, no Brasil e não existe punição para esses crimes, no meu ponto de vista, todos sem exceção deveria ir para a justiça, tanto os torturadores, o alto escalão do exército e os políticos que apoiavam a ditadura.

 

 

" Frente a todos os perigos, frente a todas as ameaças, as agressões, aos bloqueios, às sabotagens; frente a todas os divisionistas, frente a todos os poderes que tratam de nos enfrenta, temos que demonstrar, uma vez mais, a capacidade do povo para construir a sua história."

Ernesto Che Guevara

 

A capacidade da classe dominante apagar a memória e a esperança do povo pela luta de seus direitos, é incrível. Com uma simples distorção da história, ela pode mudar a capacidade de raciocínio da maior parte das pessoas.

Quando eu assistir o filme[6], na esperança de encontrar um clássico da produção cinematográfica brasileira, me decepcionei ao encontrar um filme para o mercado. Não estou no direito de julgar alguém, mas tenho o direito de exigir qualidade de conteúdo, pois se trata de um filme sobre a História do Brasil no período do Regime Militar (1964 - 1985). Um período triste da História que parece estar esquecida pela maioria da população, e as pessoas que podem estar cooperando para não apagar essa memória, fazem com que ela seja distorcida a favor dos que estavam e o que estão no poder. Pois acabou a ditadura militar, mas os personagens que governam são os mesmos.

         Como Chico Buarque diz em uma música " Amanhã há de ser outro dia..." e espero que novos filmes possam contar com dignidade a verdadeira História do País, e que a esquerda brasileira, a vontade de lutar nunca se apague. 

 

 

Texto gentilmente cedido por Adriana Costa (dri.costa@sti.com.br)

www.sti.com.br

 



[1] BENJAMIN, César. Cinema na Era do Marketing. In: Versões e Ficções: o Seqüestro da História. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 1997, (pág. 93).

[2] RIDENTI, Marcelo. Que História é essa? In: Versões e Ficções: o seqüestro da História, São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo,1997. (pág.27).

[3] CARVERSAN, Luiz. Entrevista dada a Folha de São Paulo. s/d.

[4] SALEM, Helena. Ex-Militante Inspira Personagens Femininas. IN: Versões e Ficções; O Seqüestro da História. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 1997. pág. 61.

 

 

[5] TAPAJÓS, Renato. Qual é a tua, Companheiro? In: Versões e Ficções: O Seqüestro da História. São Paul: Editora Fundação Perseu Abramo, 1997. (pág. 170).

 

[6] Em maio de 1997, na sua estréia em São Paulo, é até então só tinha lido o Livro "O que é isso, Companheiro? fiquei abismada, pois o filme se contradiz com o livro, mas como sempre um filme não é igual ao livro, não me incomodei muito. Depois de Versões e Ficções: O Seqüestro da História, fiquei muito decepcionada com a produção de filmes nacionais, que visa exclusivamente o mercado esquecendo da realidade histórica. Depois de conhecer as verdades sobre os fatos fico mais triste, pois a memória está praticamente perdida.... sem futuro.

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OLHA O JATO!!!!!




O TAXISTA E O JATO !!!! 
 
Um avião sofre uma pane e o piloto é obrigado a fazer uma aterrissagem
 de  emergência, mas graças à sua habilidade, consegue pousar em
 segurança no  meio de uma avenida.
 
Passado o pânico, os passageiros batem palmas e começam a sair do
 avião.  Tudo parecia resolvido, quando um táxi desgovernado bate no avião.
 
No interrogatório com o motorista, o delegado questiona:
 
- O piloto evita uma catástrofe e o senhor consegue bater no avião
 parado?
 Como é que o senhor não viu esse jato no meio da pista?
 
- Doutor, eu peguei um casalzinho lá no shopping, eles entraram no
 táxi e  começaram o maior amasso e eu 100% de atenção no trânsito.
 
- Sim, prossiga.... 
- Ele tirou a blusa dela e começou a chupar os peitos da moça e eu
 vendo  pelo Espelhinho, mas com 90% de atenção no trânsito.
 
- Continue... 
- Ele enfiou a mão no meio das pernas da moça e puxou a calcinha dela,
 e eu  com 80% de atenção no trânsito..
 
- E... 
- Ela abriu o zíper e caiu de boca no bilau do rapaz, daí foi para 50%
 minha  atenção no trânsito!
 
- Ok! E então?
 
- Naquele pega-pega, ela tirou o bilau da boca e apontou na direção da
 minha  nuca, nisso o rapaz gritou:
 
- OLHA O JATO!!!
 
- Doutor, como eu ia saber que era a porra do jato e não o jato da
 porra?
 Abaixei a cabeça na hora e nem vi a cor do avião...
 
 
O taxista foi liberado...